Entrevistado esta noite por Catarina Bexiga, no programa Burladero de Imprensa da Rádio Voz de Alenquer – numa grande entrevista – o cavaleiro João Salgueiro falou com a frontalidade que o caracteriza. Salgueiro pôs várias vezes o “dedo na ferida”. Além da lesão que o impediu de tourear as primeiras corridas da temporada, o cavaleiro de Valada apresentou outras justificações para só agora reaparecer nas arenas:
“Este acidente fez-me repensar e repensar no momento em que a festa vive, e penso que era importante os toureiros, e principalmente as primeiras figuras, darem o exemplo e resguardarem-se um pouco mais. Antigamente, as figuras praticamente não iam a praças desmontáveis, as praças de primeira categoria e as grandes datas eram marcadas por cartéis rematados com as figuras que andassem em melhor plano e com maior prestígio; e digamos que os outros cavaleiros de segundo plano, ou que estariam ainda em formação, tinham que ganhar um posto nessas datas mais importantes e nas praças de maior prestigio, tinham que as ganhar com actuações e com êxitos. Era o normal. E nos últimos anos, quase sem darmos por isso, tornou-se uma banalização as primeiras figuras tourearem em todos os cantos e mais alguns e com qualquer tipo de toiros. Penso que era importante as primeiras figuras demarcarem-se dessa posição. Reflecti, e penso que não foi só importante para mim, foi para mim, para as empresas e para a Festa de Toiros, e o resultado viu-se na Quinta-feira. Quando em Portugal já toda a gente questionava que não havia cartéis nem toureiros capazes de meter gente… e não vou dizer nomes, porque para bom entendedor meia palavra basta, que em Portugal não havia capacidades, que os cavalos não prestavam, os toureiros toureavam todos muito mal, em Espanha é que estava o ceptro do toureio a cavalo e só quando eles cá vinham é que as praças enchiam. Penso que na Quinta-feira foi a corrida em que o Campo Pequeno ganhou mais dinheiro, teve uma das maiores enchentes, e isso é bom para Portugal e para o toureio a cavalo e eu senti-me motivado, com ambição e respeitado.” Questionado sobre a dificuldade de um toureiro mater o interesse durante quase 25 anos de alternativa, João Salgueiro respondeu:
“Com certeza que se Deus quiser me irei manter mais anos, mas penso que a veterania não é um posto, os postos são tanto dos mais veteranos como dos mais novos, são daqueles que se disponham a triunfar e que estejam num bom momento. Esses é que têm um posto na festa (…) Quanto aos falsos triunfos e às falsas figuras, é importante no Campo Pequeno o público assobiar, o público aplaudir, e começar a diferenciar-se as coisas bem feitas das coisas mal feitas. Porque se não, todos triunfam, e à sua maneira, todos estiveram bem. Os ferros de saída são todos à tira, é um hábito comum, não quer dizer que não haja excepções, e é importante que as pessoas começarem a valorizar. Porque começam-se a fazer falsas figuras, falsos êxitos, falsas actuações, e depois o público não vai, porque não tem motivação para ir à praça. Os toureiros têm que corresponder e eu acho que os principais culpados do público não ir à praça são os empresários, os ganaderos e os toureiros.” Durante a entrevista conduzida por Catarina Bexiga, João Salgueiro revelou ainda que esta temporada apenas irá actuar por oito ocasiões: “É aquilo que tenho programado e contratado, não vou fazer mais nenhuma corrida, 90% estão fechadas. Toureio dia 4 na Nazaré, dia 15 em Reguengos, dia 16 em Alcochete, o mano-a-mano com o Rouxinol, dia 17 em Coruche, dia 23 no Campo Pequeno, e depois tourearei na feira da Moita e gostava muito de tourear em Outubro em Vila Franca, é uma praça que tenho um carinho muito especial é uma praça com que me identifico muito, e já fiz o repto à empresa, gostava de tourear aí um mano-a-mano com o António Telles.”
João Salgueiro fala com frontalidade… e revela que em 2012 apenas actuará por 8 ocasiões
