Esteve muito frio na diurna da Malveira.
A praça portátil foi montada numa zona baixa mas nem por isso o vento fresco deste Verão aborrecido deixou de se fazer sentir.
Um dos atrativos, além do cartel agradabilíssimo ao público do oeste – com dois cavaleiros conterrâneos, a corrida tinha ainda como ponto de chamada, o sorteio de uma bonita poldra, filha do «Único», estrela da quadra de Marcelo Mendes.
O conjunto de factores levou bastante público à desmontável, que, sem estar cheia, logrou bonita moldura humana.
Os toiros da tarde pertenciam a duas distintas ganadarias. Pinto Barreiros para a primeira parte e Vale do Sorraia para a segunda. Os primeiros deram bom jogo e cumpriram com muito boa nota. Já os da segunda, impuseram outros ofícios aos ginetes. E, se os ditados dizem que os santos da casa não fazem milagre e que em casa de ferreiro o espeto é de pau, na Malveira não foi nada assim. Os dois cavaleiros da terra andaram empenhados e agradaram bastante ao público! Triunfa Marcelo Mendes e David Gomes, precede-o em bom plano!
O João Moura esteve na Malveira como uma pequena sombra do maestro que conhecemos. Resolveu, bastante ajudado pelos bandarilheiros na colocação dos toiros. Não quis oferecer mais do que o resultado do “cumprimento do ofício” e o público reagiu-lhe no mesmo tom de indiferença.
Marcelo Mendes tem grande cartel na Malveira, não fosse esta mesma a sua terra natal. Talvez por isso dedique especial cuidado a este público que tanto o acarinha. Lidou com muito adorno e bastante acerto o oponente de Pinto Barreiros que lhe tocou na primeira parte, oferecendo sempre o estribo da montada nos remates, ao mesmo tempo que o toiro o procurava de cara lá em cima. Soube entender-lhe a comodidade e compor com cites variados e remates com vistosas piruetas. Na segunda parte, esperou o oponente de Vale do Sorraia à porta dos sustos. O oponente não tinha o mesmo carácter voluntarioso e foi demasiado reservado, manseou para tábuas e impunha-se em arreões, que o ginete resolveu com sortes ensesgadas, como tinha que ser.
David Gomes também cavaleiro da terra e por ela acarinhado, teve duas prestações bastante regulares. De Pinto Barreiros tocou-lhe um oponente que transmitia nas reuniões e que se deixou lidar, sendo embora encastado e adiantando-se um pouco. A lide veio de menos a mais, com a brega a duas pistas e bons ferros a extrair o som que o toiro tinha. O Vale do Sorraia encastado que fechou a corrida também teve uma lide em sentido ascendente. Do conjunto dos ferros foram mais bonitos e bem executados o quarto e quinto. Terminou com um violino de pouco efeito.
Para a pegas estiveram em praça os Amadores de Lisboa e Tertúlia Tauromáquica do Montijo.
Os de maior antiguidade, da formação de Lisboa, aproveitaram esta tarde para rodar os mais novos que se mostraram promissora matéria para a próxima geração. João Galamba viu o toiro entrar franco e humilhado, recuando com ele fechou-se com eficácia à córnea com boa ajuda do grupo. Bernardo Reboredo estreou-se a pegar em praça e foi em boa técnica que se fechou à barbela, cumprindo os cinco tempos exemplarmente. Também da camada mais jovem Gonçalo Pereira encontrou dificuldades nas duas primeiras tentativas. Duarte Mira, dobrou com galhardia e consumou pega ao quarto intento, aguentando os derrotes que o exemplar impunha com determinação.
Pelos Amadores da Tertúlia do Montijo abriu praça o cabo, Márcio Chapa, com uma pega correcta à barbela. A segunda pega do grupo foi consumada ao segundo intento. Fechou David Carrilho também à segunda.
Sara Teles
