Manuel Dias Gomes é o mais recente matador de toiros português.
Na herança genética, traz a própria história da tauromaquia que começou por escrever o seu avô, Augusto Gomes Jr. – o primeiro novilheiro que Portugal conheceu e que é um indelével ícone do nosso património cultural.
A cerimónia de alternativa, que consagrou Manuel Dias Gomes como o quadragésimo matador de toiros de Portugal, aconteceu em França (Gamard les Bains) em 30 de Maio de 2015.
SS – Chegou finalmente o dia alternativa. Quando começou a sonhar com este dia?
O sonho chega quando entrei na escola de toureiro José falcão , onde tive a oportunidade de tourear em público em algumas variedades taurinas e nessas primeiras actuações penso que foi quando se iniciou o sonho de querer ser Matador de Toiros.
SS – Contaram-nos que a faena da sua alternativa foi «extraordinária!». Como foi que a sentiu?
Diria que quase foi a faena idealizada para um dia da alternativa, como sempre sonhamos quando realizamos as nossas faenas no toureio de salão. Claro que à medida que foi decorrendo a lide tudo resultou da improvisação e do que realmente sentia e era capaz de transmitir ao público. Foi realmente uma pena a sorte suprema que tenha condenado o possível triunfo nesse toiro da alternativa.
SS – Porque escolheu França e a praça de Gamard les Bains para firmar esta passagem?
Um projecto que me foi dado a conhecer pelo matador de toiros francês Juan Leal e pelo seu apoderado, e a partir desse momento o meu apoderado entrou em contacto com a empresa que organizava a corrida. Para mim, a alternativa tem que ter um sentido e a categoria que merece, ou seja, não concretizar só esse sonho. O facto de ser num país onde a aficion tem uma importância vital para o toureio; por inaugurar-se uma nova praça de toiros; por ficar para a história que o primeiro toiro a ser lidado em Gamarde será toureado por Manuel Dias Gomes; por ser um toureiro português a inaugurar; o cartel ser formado por toureiros jovens com grande ambiente em França, com uma ganaderia de prestígio. São muitas as razões por ter aceite esta alternativa.
SS – Além da sua família, muitos foram os portugueses que viajaram até França para estar presentes nesta data. Quão importante foi essa presença para si?
Foi uma grande alegria, um grande conforto por ver nesta data tantos familiares e amigos que puderam estar presentes e honrarem-me com a presença de cada um. Para além das inúmeras chamadas e mensagens de amigos e aficionados que não puderam estar presentes.
SS – Em 2013 teve momentos absolutamente inesquecíveis como Madrid e Vila Franca de Xira, tudo fazia crer que a alternativa se tivesse seguido, porque optou por esperar?
Realmente na altura não surgiu essa oportunidade, e para mim foi importante voltar a Madrid em 2014. Tudo tem que ser natural e saber esperar até ao momento mais oportuno…
SS – O ano passado foi importante voltou a receber críticas muitíssimo positivas. Que memória tem desses momentos?
Do ano passado a memória que mais presente tenho foi da minha actuação em Las Ventas, uma tarde que me deu crédito para poder prosseguir na minha caminhada.
SS – Tomás Campuzano tem sido o seu representante desde 2012, a experiência deste apoderado tem ajudado a sua carreira?
No final do ano 2012, começou o apoderamento com o Maestro Tomas Campuzano. Estar apoderado por um toureiro é sempre um privilégio porque podemos falar ou entender-nos de maneira diferente porque entre toureiros a linguagem é a mesma. E, portanto, com a sua experiencia e conhecimentos o meu toureiro tem evoluído.
SS – Em Dezembro do ano passado esteve no México. O que lhe proporcionou essa campanha?
Não foi campanha, fui apenas acompanhar o Grupo de Forcados Amadores de Lisboa e conhecer esse grande País da América. Ainda assim, consegui participar em alguns tentaderos como, por exemplo, na ganaderia de Arroyo Zarco e acho que ficou uma porta aberta, quem sabe para este ano no Inverno poder tourear alguma corrida de toiros por lá.
SS – Quais são as melhores recordações que traz de novilheiro?
Tenho sorte de ter bastantes recordações mas respondendo à pergunta penso que o meu debute com picadores em Málaga, a minhas últimas actuações em Madrid e Campo Pequeno. E a minha actuação na Feira de Outubro de Vila Franca de Xira em 2012.
SS – Que toureiros são a sua fonte de inspiração?
As máximas figuras deste momento todas são fonte de inspiração porque o que fazem diante dos toiros, hoje em dia, é algo fora do comum. Dentro dessas máximas figuras, gosto muito de Morante de la Puebla, el Juli e Miguel Angel Perera.
SS – O facto de ser filho e irmão de grandes forcados, nunca o fez pensar em optar por essa carreira?
Claro que sim, ainda me fardei de forcado numa novilhada pelos juvenis do Grupo de Forcados Amadores de Lisboa, mas sempre tive claro que não tinha o valor e a coragem suficiente para poder honrar sobretudo a imagem de um forcado e conseguir ser um bom forcado como o meu Pai e os meus irmãos.
SS – Já tem corridas contratadas para esta temporada?
De momento, não tenho nada confirmado.
Sara Teles
