E fechou-se a temporada no Campo Pequeno, com a tradicional corrida de gala à antiga portuguesa, e um cartel televisionado de seis cavaleiros para toiros de Fernandes Castro, a serem pegados por Lisboa e Coruche. António Ribeiro Telles foi o claro cabeça de cartaz, Brito Paes, Marco Bastinhas, Duarte Pinto (que veio em substituição de Ana Batista, que infelizmente teve de cortar a sua temporada por motivos de doença), Miguel Moura e Parreirita Cigano, estes dois últimos tendo obtido o triunfo nesta noite também marcada pela despedida das arenas de dois forcados de imenso nível: João Lucas e Manuel Guerreiro. Pena que o curro esteve longe de ser o ideal.
Importante foi a bonita homenagem feita ao eng. Samuel Lupi, com a presença dos seus companheiros (Alvarito Domeq, D. Angel e Rafael Peralta) do quarteto de que vez parte, levando pela Ibéria a verdade do toureio a cavalo, dando ênfase ao rejoneo em Espanha.
A casa esteve praticamente cheia, mas era claro que esteve assim por causa de ser uma corrida RTP, pois aficionados conhecedores não estavam em maioria, pelo que a música era pedida a troco de nada – é dada, o que é de lamentar pelo rigor necessário à primeira praça do País – e os aplausos era para a tv ver.
As actuações foram agradáveis, mas paupérrimas ante touros parcos de bravura, sonsos e matreiros, em particular com os forcados. António Ribeiro Telles é Maestro e por isso ultrapassou as dificuldades. António Maria Brito Paes teve mais dificuldades, mas mostrou alguns curtos bem sacados ao estribo. Marco Bastinhas brindou-nos com a sua arte equestre, ganhando na brega e nos remates aquilo que não podia sacar na investida do seu touro, que era escassa e tímida. Com Duarte Pinto e o seu oponente, já pudemos ter um momento taurino mais completo, com a cravagem mais templada é um toureio consistente e congruente com o touro que lhe coube em sorte.
E depois tivemos Miguel Moura, excelente a encontrar-se com um touro complicado, como a maioria desta nocturna, conseguiu vários ferros com batida ao pitón contrário que alegraram a aficcion presente no Campo Pequeno.
Fechou-se a noite com o cavaleiro praticante que tem dado provas e mais provas de poder singrar como figura, Parreirita Cigano, que tem carisma taurino, particularmente bem nos curtos e tendo uma lide redonda e com emoção, a par da cravagem elegante. Com ele conseguiu-se fechar em grande ambiente a temporada do abono de 2016.
Manuel Guerreiro e João Lucas, do grupo de Lisboa, deixaram a jaqueta nesta nocturna, com pegas difíceis pelos touros e com falta da segunda volta, pela despedida rpor todas as grandes pegas com que já nos brindaram. João Varanda foi quem, por Lisboa, pegou o touro lidado por Ribeiro Telles. Todos consumaram os intentos à segunda.
Coruche, teve primeiro na cara Paulo Oliveira, que pegou à primeira. Já João Peseiro teve quatro tentativas goradas por um touro muito difícil, tendo esta pega sido fechada à meia praça por António Tomás. José Marques realizou a última pega da noite ao primeiro intento.
Não foi uma corrida memorável, mas foi vista por uma elevada percentagem de público do país todo e deixou-nos a certeza de que há novos valores a caminho de serem figuras.
Silvia Del Quema
