Paio Pires tem um extraordinário ambiente de afición e a sua corrida adiada para a passada sexta-feira foi mais um momento de afición pura. O tradicional concurso de ganadarias levou à praça touros de (por ordem de entrada) Calejo Pires, Murteira Grave, Fontembro, Fernandes de Castro, Vinhas e São Martinho, para os cavaleiros Rui Salvador, Filipe Gonçalves e Luís Rouxinol Júnior, estando as pegas a cargo dos grupos amadores de Lisboa e Alcochete.
São Martinho e a sua lide acumularam todos os prémios em disputa: melhor lide, melhor pega, apresentação e bravura. Não é que não tenha havido touros nas outras cinco lides. Houve touro e chegou mesmo a sobrar touro. Houve brega vistosa e elegante. Houve pegas duras e emocionantes. Houve excelente trabalho dos bandarilheiros, nomeadamente do “Açoreano”.
Houve filas longas para as bifanas e houve muito convívio. A noite, em si, foi triunfante. Só que os astros conjugaram-se para que um touro muito bonito saísse dos curros cheio de ganas de marrar, com muita pata, directo aos capotes a soprar. Berrendo de pelagem e cornalón de armas, impunha respeito do alto dos seus mal pesados 530 kg. Este touro ofuscou os anteriores e Rouxinol aproveitou bem a sua vontade de lutar, e a pega mostrou a vontade de vencer do grupo de Alcochete, com o cara Victor Marques.
O Calejo Pires de Rui Salvador era bem apresentado e imponente, mas faltou-lhe entrega, obrigando a uma lide sem movimento e sempre em cima. Foi pegado por Lisboa, à segunda tentativa do caras Tiago Silva.
O Grave da noite prometia, saiu cheio de garra, com muita pata e deu hipóteses a Filipe para lidar ao seu gosto, fechando com violino e palmito. Para a cara, foi Henrique Teixeira Duarte de Alcochete, que pegou à segunda tentativa.
O Fontembro de Rouxinol deu pouca lide, esteve sempre desligado e só avançava sob grande provocação. Obrigou o cavaleiro a inventar touro onde não havia mais do que um bonito touro manso. Deu ao grupo de Lisboa uma pega ao segundo intento, por Daniel Batalha.
Para o Fernandes de Castro, o cavaleiro de Tomar Encontrou uma lide de poder, ante um oponente pouco empregue e sem ritmo. João Ferreira, de Alcochete, conseguiu efectuar pega ao sexto intento.
O Vinhas que coube em sorte a Filipe Gonçalves empregou-se desde que entrou em praça, mas tinha distâncias curtas e, apesar de permitir a brega espectacular a que este ginete nos habituou, não era fácil no encontro com a cravagem, pedindo os papéis ao cavaleiro. Bravura não lhe faltou, embora fosse discreta, mas as tentativas de o pegar estragaram o touro: Bernardo Reboredo, por Lisboa, efectivou a pega depois de desmanchar duas vezes devido à tal distância curta do touro e de duas tentativas frustadas.
O júri de Bravura e Apresentação foi composto por Frederico Cunha, Francisco Marques, Miguel Ortega e Vasco Lucas e os prémios Melhor Lide e Melhor Pega foram definidos pela Comissão Taurina de Paio Pires. No início da corrida, o Grupo de Forcados Amadores de Lisboa ofertou ao empresário António José Casaca uma lembrança dos tempos em que vestiu a jaqueta daquele grupo, onde foi grande forcado.
Silvia Del Quema Vinhas
