Nuno Casquinha foi o grande triunfador e líder da temporada Peruana e no próximo dia 1 desembarca em Mourão para participar na abertura da temporada Portuguesa.
Fomos ao seu encontro (virtualmente) para o entrevistar.
Sol e Sombra:Nuno, foste para o Perú com ideia de fazer meia dúzia de corridas e passado dois anos, és o líder do escalafon. Fala-nos um pouco desse teu percurso nessa terra que te acolheu.
Nuno Miguel Casquinha: Eu cheguei ao Perú em Maio de 2012 e realmente a ideia seria tourear aproximadamente 10 corridas e regressar em Outubro. Felizmente as coisas foram correndo cada vez melhor, vi que estava diante de mim a oportunidade que já à vários anos esperava, por essa razão decidi ficar e como disse, já são duas temporadas aqui e com o resultado de ter sido o líder do escalafon 2013 no Péru.
Estou extremamente agradecido com o carinho com que os peruanos me receberam desde o primeiro dia, ao trabalho do meu apoderado e à imprensa de Portugal pois sempre estiveram atentos às minhas corridas e informaram com rapidez os resultados à aficion portuguesa.
E também á imprensa peruana porque sempre me mostrou o seu apoio.
Oportunidade essa que não tiveste no teu país?
Em Portugal tive algumas oportunidades, a verdade é que não me posso queixar, mas umas vezes penso que poderia ter estado melhor e outras vezes que triunfei, não houve a repercussão e a continuidade necessárias. Sinceramente vi que o meu futuro imediato não estava no meu país, surgiu esta oportunidade e graças a Deus tudo tomou um rumo que nem eu próprio estava à espera.
Durante estes 2 anos, houve por parte das empresas portuguesas interesse em te contratar?
Durante a temporada passada houve um contacto da empresa de Vila Franca de Xira em contratar-me para a Feira de Outubro, mas eu toureava no dia anterior em Carhua, razão pela qual seria impossível chegar a tempo e o contrato já estava assinado à dois meses, portanto com muita pena da minha parte não foi possível actuar na feira da minha terra.
Após essa impossibilidade, estás anunciado para abrir a temporada em Portugal. Como se conjugaram as coisas para esta contratação?
Para que esta contratação se chegasse a formalizar, houve em primeiro lugar o interesse do senhor presidente da Junta de Freguesia de Mourão em contratar-me para o festival e também existiu a minha vontade em tomar parte do elenco desse festival com tanta solera que todos os anos abre a temporada portuguesa.
E logo este ano com duas figuras, António Ferrera e David Mora, frente a novilhos-toiros da mítica ganadaria de Murteira Grave. Que ilusão trazes para essa tarde?
Estou complemente de acordo com as suas palavras, uma ganadaria com tanto prestígio e historia como a de Murteira Grave e duas figuras que fizeram uma temporada extraordinária junto a uma jovem promessa que pode trazer alegrias à aficion portuguesa. A minha ilusão e responsabilidade são enormes, pela categoria do cartel e porque sou consciente do que a aficion portuguesa espera de mim.
Logo de seguida voltas para o Perú para cumprires outros contratos. Está nos planos tourear mais corridas este ano em Portugal?
Depois de tourear em Mourão regresso imediatamente ao Perú para tourear dia 5 e continuar com a minha temporada aqui. Eu particularmente gostaria de tourear algumas corridas corridas em Portugal e se possível em Espanha também. De forma a intercalar a temporada no Perú e em Portugal.
Mas já existiu algum contacto nesse sentido?
Sim, de facto já houve outro contacto nesse aspecto e penso que se confirmará em breve. Mas de momento não posso adiantar mais detalhes.
Voltando ao Perú. Conta-nos que diferenças vês entre Portugal e o Perú taurinamente falando. A investida do touro, os aficionados, as empresas, a prensa taurina…
No Perú existe uma aficion enorme, é impressionante como aldeias com 3 mil habitantes, têm praças de 10 mil lugares e esgotam-se.
Aqui practimente não existe empresas, a grande maioria são comissões que cada ano mudam. Portanto são os aficionados que confeccionam os cartéis, facto que a meu ver é melhor para a festa.
Os toiros aqui não saem com tanto poder e tanta força como aí. No início das faenas tem de se dar mais tempo e confiança aos toiros, e só no fim se pode atacá-los e encurtar as distâncias. Posso dizer que nestas duas temporadas tive a sorte de encontrar-me com toiros extraordinários aqui e que me permitiram desfrutar realmente.
Quantas ganadarias existem no Perú e que encastes predominam?
Não se saberia dizer um número exacto de quantas ganadarias existem actualmente no Perú, visto o pais ser enorme e existe muitas que apenas há noticias de que existem. Mas penso que podem existir facilmente pelo menos 150 ganadarias aqui.
A maioria delas são encastes já próprios, embora se possa dizer que existe predominância de encaste Domecq cruzado com encastes daqui.
Pensas ficar radicado por aí ou virás um dia de vez para Portugal?
A vida ensinou-me a não fazer planos a longo prazo, prefiro pensar no presente e em aproveitar ao máximo esta oportunidade que Deus me está a dar. Gostaria de voltar a Portugal, mas quando estejam reunidas as condições para que tal aconteça. Por isso não lhe saberia dizer quando voltarei ao meu país para ficar.
Para terminar, uma mensagem para a aficion portuguesa que se irá deslocar dia 1 a Mourão para te ver.
Gostaria de agradecer a toda a aficion portuguesa como me tem apoiado e seguido a minha carreira, mesmo estando tão longe. Por outro lado, incentivar os aficionados a presenciarem o festival de Mourão dia 1 de Fevereiro, porque estão reunidos todos os ingredientes para que seja uma boa tarde de toiros e também será o meu reencontro com os aficionados de Portugal, e o meu objectivo é fazer com que todos desfrutem com o meu toureio.
Obrigado Torero!
João Silva
