Há dias em que a culpa não é de ninguém. São os astros que não se alinham ou é porque tem de ser; e as coisas não resultam.
Os toiros de Silva Herculano que saíram ontem no Pinhal Novo foram difíceis e incómodos como têm de ser quando não saem bravos. Os cavaleiros estiveram bem e quase sempre por cima dos toiros. Contudo, o sentimento geral da bancada é que não se passou grande coisa.
Depois deste desmotivante introito, falemos pois da corrida do Pinhal Novo, que decorreu com a desmontável quase cheia.
Rui Salvador abriu a noite com a lide que encerrou os melhores ferros da noite.
Saiu enraçado mas aos primeiros compridos o toiro pendeu para tábuas. Nos curtos acabou por abrir. Metia a cara acima nas reuniões, esperava e intuía os caminhos para se adiantar. O segundo, terceiro e quarto ferros foram de muito boa nota. A dois tempos e de frente, tiveram um efeito luminoso na reunião ao estribo com o toiro a procurar lá acima. O quarto da ordem era complicado, andarilho, andou sempre a medir para se empregar muito a espaços. Verdade é que o cavaleiro não conseguiu dar-lhe a volta nem impor-se nas distâncias que o toiro pedia.
O segundo da ordem doeu-se e tapou-se a todos os ferros. Luís Rouxinol esteve muitos furos acima do oponente. Bregou com classe e sítio oferecendo o estribo para colocar o toiro e nunca o deixou pensar encontrar refúgio. Uma boa lide. O quinto “não foi mau” – foi, péssimo! Ao primeiro comprido negou-se à luta e fugiu o melhor que pôde para o conforto das tábuas. Desencostava-se só para bater a defender-se e o ginete fez o que pôde para cumprir a ordem.
O toiro de Tomás Pinto começou por se adiantar barbaridades mas acabou por ser o melhor da noite. Permitiu uma lide ortodoxa, séria e bem construída frente a um oponente que «se deixou» mas não chegou às bancadas. Frente ao último da noite, esteve de génio. Frente a um exemplar perdido de manso, não perdeu tempo a contrariar-lhe a querença. Tomás Pinto lidou com entrega e brilhou nos ferros de sesgo a que o toiro correspondia com génio. Fechou com um violino em terrenos exíguos, que o público aplaudiu de pé.
Para as pegas, o curro de mediano peso não ofereceu dificuldades de maior.
Pelos Amadores de Alcochete abriu praça João Belmonte. Ao primeiro intento não logrou fechar-se na córnea e saiu desfeiteado. À segunda foi à barbela e aguentou sem dificuldade aguentou a viagem por cima, a que o grupo correspondeu com eficaz ajuda. Dário Pliru não acertou nos tempos ao primeiro intento e não conseguiu mandar. À segunda o oponente saiu a apalpar mas recuou a medida certa para se fechar com determinação e aguentar a viagem por baixo. A Fernando Quintela tocou resolver o problema mais difícil. Com o manso fechado em tábuas e a defender-se, tentou deixá-lo vir de largo ao primeiro intento mas não obteve reunião. À segunda de sesgo esteve deveras bem a mandar e encher a cara ao toiro para consumar com eficaz ajuda.
Dos Amadores de Beja pegou primeiro e à primeira Ricardo Castilho que mandou e recuou com acerto para uma boa pega à barbela. José Miguel Falcão não mandou na investida a chouto e não resolveu à primeira tentativa. À segunda voltou a tardar a carregar mas emendou com o compasso a que recuou para reunir bem à córnea. José Miguel Sampaio tinha por diante um manso perdido que não oferecia bons modos. Tentou por duas vezes dar vantagem ao toiro mas há toiros que se têm que pegar a sesgo. Era este caso e assim consumaram à terceira tentativa.
Dirigiu assertivamente o senhor Manuel Gama.
Sara Teles
