Não é porque o céu está nublado que deixam de brilhar as estrelas. Assim estava o céu no 15 de Agosto em Reguengos de Monsaraz mas as estrelas brilharam com uma luz muito esquálida. Com a tarde ameaçada pelo estado chuvoso do dia, as bancadas só começaram a encher muito pero da hora marcada para a corrida, ficando ainda assim uma casa consideravelmente composta.
Acusou 560kg na balança e saiu com mobilidade o primeiro do curro de Ortigão Costa, que pouco se deixou e que não transmitiu que chegasse para secar a humidade das bancadas.
Rui Salvador arrimou-se frente ao oponente que parecia ter voluntariedade, mas que depressa se mostrou um manso encastado. Viu comprometida a montada ao segundo curto e dali os ferros resultaram heterodoxos, à excepção do último de bom quarteio e ao estribo. Pior sorte lhe coube no quarto da ordem, que embora desinteressado acudia aos cites e se reprimia nas reuniões. Faltou toiro em quase todos os ferros e o esforço do cavaleiro, não chegou para compensar o que não havia nos 510kg de carne deste exemplar.
Salgueiro e a brega a duas pistas e ferros de diferentes desenhos e correctos compuseram um quadro interessante frente ao flavo de 520Kg que saiu em segundo lugar. Dois compridos correctos; o primeiro curto em terrenos estreitos, cambiando terrenos ao piton contrário; ladeando para colocar o toiro em sorte e acometer de frente o segundo, rematado à pirueta; templado cite no quarto cravado a dois tempos, são o resumo de uma lide de mais a menos acompanhando as reservas do exemplar, que soou muito bem à bancada da “Mestre Baptista”. O mais pesado do lote, com 580kg, segundo de João Salgueiro foi outro mansote que parecia querer ver pisados os terrenos mas que nem assim transmitiu. Foi uma lide irregular e sem história que terminou com um ferro bom que não apagou o medianismo dos anteriores.
O mais jovem e promissor João Maria Branco abriu função com uma melodiosa porta gaiola, donde levou o toiro com 530kg para os médios onde com ele se dobrou na brega. Apesar de ter visto o posterior da montada prender-se no piton do toiro com algum perigo, nem por isso perdeu os papéis e continuou correcto a dar cova ao toiro e a desenhar bem os ferros. Logrou bom ambiente nas bancadas. Da segunda lide João Maria Branco saiu sob assobio. Um assobio bom de ouvir, já que as bancadas insistiam para que deixasse mais um ferro ao oponente de 560kg. O ginete saiu, contudo, na altura exacta de uma lide agradável e equilibrada em que andou ligado, de caras, gerindo bem a brega e aproveitando os terrenos do toiro sem o deixar enquerençar. Bom augúrio para os próximos compromissos…
Pegas a cargo de grupos vizinhos, jaquetas com muito peso na tradição taurina, a medir competências e donde se saíram desta vez melhor os eborenses.
Por antiguidade abriram os Amadores de Montemor. João Romão Tavares concretizou à primeira, sem se perturbar com a entrada do toiro a defender-se e a reunião menos acoplada à córnea. Aguentou com o toiro a meter a cara alta, recebendo uma grande primeira de João Pedro, também chamado aos médios. João Caldeira só conseguiu consumar a pega ao terceiro intento. Ao primeiro, com um cite de antologia, não suportou os dois derrotes seguidos que o mandaram fora da córnea, donde voltou a sair à segunda tentativa com o toiro hesitante a sair e a meter por diante um piton. Sem dificuldade concretizou à terceira com a ajuda mais próxima, fechando bem à barbela. Por fim, Frederico Caldeira empranchou na cara do exemplar ao primeiro intento, onde ficou à segunda bem fechado, repetindo-se uma grande primeira ajuda “lateral”.
Os Amadores de Évora começaram por Ricardo Casasnovas, que, bem a carregar a sorte e consentir, reuniu eficaz à córnea com igualmente eficaz ajuda do grupo. João Oliveira mandou vir de longe o oponente e soube mandar-lhe para o receber com investida franca, correcto à córnea – em técnica inatacável. Com uma pega bonita fechou José Pereira, à córnea, com o grupo a dar-lhe pano para brilhar até fechar e consumar à primeira.
Sara Teles
