Sin toro no hay Fiesta! Assim começo, infelizmente por relatar a segunda corrida da feira de São João. Com mais de ¾ de casa, e com o público na expetativa de apreciar a arte do toureio apeado, deu-se inicio ao festejo, ainda que com alguns minutos de atraso. O cartel composto por Daniel Luque (triunfador do ano transato) e que completa 10 anos de alternativa; Tomás Campos e o cabeça de cartaz Andrés Roca Rey, o peruano que em pouco mais de dois anos como toureiro profissional se converteu na maior figura impulsionadora da festa brava internacional.
Quanto ao curro presente em praça, da ganadaria de Rego Botelho, com ascendência Jandilla; perfeitos na morfologia e com boa apresentação, porém escassos na bravura e de investida inusitada.
Em praça Luque recebeu o nº 98 com 518kg, por entre verónicas pouco se viu nos lances de capote uma vez que o toiro entrada bruto e saía com a cara por alto. Após difícil tarefa nas bandarilhas, iniciou uma tanda de passes de peito com a muleta pela direita, porém o oponente não facilitou a tarefa protestando no remate da sorte. Luque ainda o passou pela esquerda mas com toiro a partir-se cedo. Ressalva para um bonito lance iniciado pela direita terminando num passe de peito pela esquerda.
Seguiu-se Tomás Campos, que cedo mostrou desembaraço. Recebeu o nº 12 com 496kg por entre verónicas. A apontar o excelente par de bandarilhas de João Pedro Silva “Açoreano”. Na muleta, ainda houve a ilusão de poder haver matéria prima para lide, um toiro que antevia melhor na investida, ainda que por alto, voluntariou-se numa primeira série de derechazos. Passou à mão esquerda mas logo viu que o hastado ficava curto, ainda voltou à mão direita mas toiro a fazer dois reparos no toureiro o que levou ao remate da lide. Ovação.
A fechar a primeira parte, Rey em praça para receber o “Ansioso”, nº 18 com 455kg. A ilusão logo desvaneceu quando lanceou bonitas verónicas mas sem oponente à altura. Hastado com fraca investida, recebe em tábuas por doblones, levando-o até aos médios, o toiro a nunca permitir uma ligação entre as séries de derechazos, parando-se a meio da viagem. Roca ainda lhe trocou a muleta pela esquerda mas de pouco adiantou. Destaque para a ultima tanda de derechazos rematada com passe de peito. Volta à arena.
A abrir a segunda parte, a impaciência imperava na esperança de que esta fosse mais favorável, Luque regressou à arena para receber o nrº 13 de 460 kg. Nada mudou. Apontar o bonito par de bandarilhas de Jorge Silva. Já no tércio da muleta, Luque esteve mais ligado numa série de derechazos que lhe valeram o toque do paso doble (talvez um pouco cedo… mas válido pelo mérito do toureiro). Ainda assim, o toiro ficava curto na investida o que ficou ainda mais evidente quando este trocou para a mão esquerda. Luque entendeu e continuou a faena pela direita, tentando desenhar bonitos passes de muleta numa lide que ficou aquém de emoção e temple.
Tomás Campos, frente ao segundo do seu lote “Murmurador” nº 15 de 454kg, entregou-se por completo, surpreendendo pela positiva, uma vez mais, foi pena não ter pela frente um toiro “à sua altura”. Porém, lá estava a frase “no hay quinto malo” no meu pensamento. Embora tendo desenhado bonitas chicuelinas, Tomás Campos teve difícil tarefa com a muleta. Dando bons indícios, fixando-se na muleta e de investida mais pronta mas que cedo se perdeu rachando ainda antes do toureiro poder mostrar todo o seu valor. Ainda espremeu tudo o que podia de um toiro que já pouco investia, ou quando o fazia protestava. Acabou por arrastar o inevitável, mas ainda assim uma valorosa lide de Campos que deixou certamente a sua marca na afición Terceirense. Ovação.
Finalizando a corrida, novamente em praça a ilusão do toureio a pé. Para receber o toiro mais pesado da corrida com 534kg e nº 3 no costado, Roca Rey delineou finas verónicas rematadas com uma bonita lopezina. A montera fez adivinhar o triunfo, mas os toiros não estavam com os toureiros. Inicia a faena de pés juntos com os chamados estatuários já característicos. Rematou com passe de peito. Pouco mais a ressalvar da lide. Trocou para a esquerda evidenciando a dificuldade de investida do oponente, que seguia por um fraco galope. Voltou à direita onde sacou umas poucas tandas de derechazos e com um toiro que nada mais poderia acrescentar rematou a lide que lhe foi possível. Ainda assim foi bastante ovacionado pelo mérito e entrega em praça.
Fechou assim mais uma corrida da Feira de São João, com o diretor de corrida Mário Martins assessorado pelo Médico-Veterinário Dr. Vielmino Ventura.
Denise Coelho
