A tradicional corrida em honra de Nossa Senhora do Castelo em Coruche, realizou-se ontem, dia 17 de Agosto, com um cartel que suscitou grande expectativa: António Ribeiro Telles, Manuel Ribeiro Telles Bastos e João Ribeiro Telles Junior, ante seis touros Pinto Barreiros.
Para ajudar à expectativa da aficion, pegaram em solitário os forcados de Coruche. Resumindo, uma corrida deveras importante pelo cartel, pelo curro e pela forcadagem.
Os toureiros da terra não desiludiram, apesar as expectativas estarem muito altas e o saldo ter ficado baixo. Ou seja, houve bons momentos, mas também alguma irregularidade nas lides, fruto de touros complicados, o que me leva, agora, a falar do curro.
Excepção feita ao último touro da tarde, eram todos muito bem apresentados, mas o comportamento foi bastante diverso. Problemas de maior para os cavaleiros houve com o quinto da corrida, que coube em sorte a Manuel Telles Bastos, mas dificuldades mesmo foram postas aos forcados, que se depararam, no quadro geral, com touros complicados, com saídas abruptas, muitos derrotes, muita pata…
António Ribeiro Telles teve um primeiro touro que se mostrou muito parco na investida, de arremetida curta, tornando a cravagem de qualidade da Torrinha difícil de realizar. O traquejo do cavaleiro foi a própria solução para a lide, que deixou ferros compridos a desejar e o rigor clássico dos curtos a compensar.
A pega ficou a cargo de Miguel Ribeiro Lopes e foi uma das pegas mais fáceis da tarde, com o forcado a fechar-se à primeira tentativa com brio e valentia num touro que saiu cheio de pata.
O segundo touro de António Ribeiro Telles era um Pinto Barreiros clássico, em termos de apresentação, permitiu uma lide de bom nível e sempre em crescente. A ligação de cavaleiro e oponente transmitiu muito às bancadas e destacaram-se três dos últimos ferros curtos onde a colocação do touro e as sortes encheram a tarde de Coruche.
A pega foi entregue a Luis Gonçalves que teve dificuldades perante um touro muito forte, com uma saída altamente irregular, com derrotes fortes, sendo concretizada à quarta tentativa de forma sofrida.
Manuel Telles Bastos começou com um touro desinteressado e não se ligaram os dois, apesar dos esforços do toureiro que procurou entender um touro que era pouco linear, bonito, como seu peso bem distribuído pela sua constituição. Contudo, o destaque desta lide foi sem dúvida a sorte gaiola de caras, de poder a poder, tendo ficado na memória, as sortes bem desenhadas, de frente, assim como a quarteio, na elegância que é crivo deste toureiro.
O segundo touro da tarde foi pegado por Pedro Galamba, tento sido cumprida ao primeiro intento.
O outro touro que coube a Manuel nesta tarde de Agosto, foi, sem dúvida, o mais duro do lote de Pinto Barreiros. Logo após os compridos, ganhou querença na área da porta dos cavalos e acabou por deixar o local pelo bom trabalho do cavaleiro, sendo que mesmo assim fechava-se em tábuas desse por onde desse. Um dos melhores ferros curtos foi cravado com o bom trabalho do bandarilheiro que assistiu o cavaleiro como mandam os cânones do toureio marialva.
Manuel teve de cravar a sesgo e apesar das dificuldades foi acarinhado pelos tendidos.
A pega deste touro foi feita por Pedro Crispim, que se despediu das arenas com uma das melhores pegas da tarde, conseguida à primeira.
João Ribeiro Telles conseguiu tirar ao seu primeiro oponente o suficiente para o seu estilo de toureio, que emocionou as bancadas, com cites largos embora com momentos em que os ferros descaíram um pouco, mas a alegria do seu toureio chegou perfeitamente a todos e destacou-se dois dos curtos à tira nos médios.
Este touro foi pegado à segunda tentativa por Miguel Raposo.
O segundo touro que coube em sorte ao mais jovem toureiro da Torrinha, foi bem mais complicado, apesar de ter começado com uma bem executada sorte gaiola completada na perfeição, o touro acabou por vir de mais a menos. No entanto, o bom sentido de João como toureiro levou-o a escolher os cavalos certos para tornar a lide mais redonda com os seus adornos, terminando com dois violinos e um ferro de palmo de boa nota, que conduziram ao público lhe exigir mais um ferro, outro violino arrancado a um touro pouco franco, que deu dois toques feios ao cavalo.
Está ultima pega ficou a cargo de José Marques e foi conseguida à segunda tentativa.
A Monumental de Coruche esteve quase cheia, numa tarde quente, com ambiente de festa e uma aficion conhecedora. Os forcados mostraram o bom momento que estão a viver, não só de temporada, mas sobretudo como grupo que se vem destacando ao longo dos anos e que é agora, definitivamente, referência. Os cavaleiros da terra tiveram um curro duro como é praxe para a casa que representam. Foi uma agradável tarde de touros.
Sílvia Del Quema
