O mercúrio do termómetro finalmente subiu!
O curro de Veiga Teixeira primou pela excelente apresentação e por um fio condutor de comportamento num jogo bastante interessante. Foi o mote para a boa corrida de Vila Franca de Xira.
Mais de meia casa viu a tarde com interesse, encontrando sempre motivos para não tirar os olhos da arena. Se vínhamos com uma série de espectáculos mornos, este tirou mesmo o pó ao termóstato.
Não foram só os toiros… Foi uma tarde competitiva e bastante inspirada entre todos os intervenientes.
A substituição de Nelson Limas – que tinha o papel principal nesta corrida da sua alternativa; e, a súbita suspensão da temporada por João Salgueiro que encabeçava o cartel, acabaram por ser ausências pouco sentidas, até porque os que entraram em substituição somaram os pontos mais altos da tarde. Diametralmente diferentes, António Brito Paes e Marcelo Mendes, estiveram em toureiros e foram os triunfadores da tarde.
Sónia Matias abriu praça com uma estampa ovacionada à chegada ao ruedo. O encastado de Veiga Teixeira tinha chispa e embora tenha pendido para tábuas, saía brusco e a arrear na brega. Escutou-se a música ao primeiro curto. A cavaleira pisou terrenos de compromisso e viu-se mesmo comprometida num ou noutro momento, mas o que sobreveio foi a raça e a entrega da lide.
Também Ana Batista teve uma actuação francamente positiva. Tal como o primeiro, também o segundo da ordem se sentia bem em tábuas mas de contrário, tinha menos brilho no momento da reunião e empregava-se menos. A cavaleira esteve por cima e acabou por lhe esconder esses defeitos com o bom desenho das sortes e a brega.
Reitere-se que António Brito Paes esteve em excelente plano esta tarde. Talvez pecando pelo exagero, terá sido uma das mais inspiradas tardes que já lhe vimos. Com a montada de saída aliou a alta escola a um alto desempenho frente ao sério, que saiu com gás à arena e completou a lide sempre colaborante. Nos curtos esteve soberbo nos quarteios de frente, ao estribo, remates e na brega de cada um dos ferros. Para o fim, viu-se encastado e metido na lide, desenhou piruetas a adornar o cite e terminou com um palmo que estalou nas bancadas.
Injustamente só lhe foi concedida música ao terceiro curto, o que não correspondeu às decisões que Rogério Joia assumiu outras actuações.
A Paulo Jorge Santos tocou por sorteio o pior do lote. Um manso com génio, de parca classe no capote e tardo na investida, que tapava a saída à montada – comprometeu o cavaleiro com vários toques. Não fossem estes toques, alguns bastante violentos e não se perceberia porque o ginete não acedeu à volta. A verdade é que assinou alguns momentos interessantes e acabou mesmo por selar a lide com um bonito e “arrimado” ferro de palmo que a bancada aplaudiu.
Marcelo Mendes foi tal qual furacão – como se apodava nos seus inícios. Apresentou vários números com o Único (daqueles números que enfurecem os mais ortodoxos – palmas, lambadas, piruetas, mordidelas) mas o que é verdade é que o público se levantou e vibrou (o público de Vila Franca que assobia e contesta). Teve por diante o toiro da tarde, de nome «Maniqui» que impôs a chamada do ganadero aos médios e que acabou por voltar ao campo. Sem escolher terrenos, o bonito quatreño acedia voluntarioso, nobre e com pata a todos os cites.
Por fim, Jacobo Botero abriu a lide com o “ponto alto” da corrida. A emotiva sorte de gaiola, seguida de três voltas completas a aguentar o tranco de galope do mais pesado de Veiga Teixeira que transmitiu até ao fim. Exibiu variedade nas sortes, escolheu bem os terrenos e mexeu o toiro mas pecou por não rematar os ferros e deixar assim inacabados os bons apontamentos.
Nas pegas os dois grupos de forcados ribatejanos, tiveram uma belíssima tarde. Os toiros, de excelente apresentação, sérios e a transmitir nas lides, soavam a imponência ao cornetim para a pega. Na verdade, tiveram todos uma nobreza tal que não houve dificuldade de maior.
Os Amadores de Vila Franca de Xira mantêm a “máquina afinadíssima” e consumaram as três pegas ao primeiro intento. Todas com técnica excepcional pelos solistas e nas implacáveis ajudas. Foram à cara Pedro Castelo, Bruno Casquinha e Márcio Francisco.
Pelos Amadores de Coruche Pedro Marques pegou eficaz à barbela ao primeiro intento bem ajudado atrás. José Sousa foi o mais ovacionado da tarde, consumou rija pega com uma viagem por alto e o exemplar a entrar pelo grupo. Ricardo Dias pegou ao segundo intento o mais pesado do curro que também acrescia em dificuldade pelos derrotes que impunha ao sentir o forcado.
Dirigiu a corrida o Dr. Rogério Joia, que pecou apenas pela disparidade de critério na atribuição da música.
Sara Teles
