Toiros e forcados fizeram da tarde de Reguengos de Monsaraz un ambientazo! Valeu a pena o esforço da empresa para preencher a tarde de atractivos. Valeu a pena o esforço dos ganaderos para levar qualidade à corrida. Valeu o esforço dos forcados para levar o prémio para casa. Valeu o esforço dos cavaleiros, que não encontraram comodidades nos toiros mas que se arrimaram sempre para lhes conseguir dar a volta.
I – Dos forcados e das pegas:
Foi com os forcados estalou encalorada discussão nas bancadas. Vejamos:
Os de S. Manços consumaram a primeira pega à segunda tentativa, Pedro Santos, entrou na jurisdição e não teve tempo para recuar e obter reunião. À segunda, consumou uma pega dura, em que teve o mérito de se fechar com garra, não saindo da córnea quando o toiro com um estranho lhe bateu de cara alta e o empurrou trincheira adentro com o grupo coeso. Manuel Vieira acusou a responsabilidade de lhe sobrar a segunda oportunidade que o grupo tinha de levar o prémio para casa. Aos dois primeiros intentos complicou e esteve mal, consumando à terceira uma pega limpa mas que já não podia valer à jaqueta o prémio em disputa.
A primeira do Redondo foi consumada por Rui Grilo. À primeira faltou falar e alegrar o Dias Coutinho, que assim entrou mal para o forcado. À segunda não esteve tecnicamente perfeito na reunião mas teve mérito pela muita garra e vontade de ficar na córnea aguentando a viagem áspera.
A primeira de Monsaraz foi consumada por Ricardo Cardoso. À primeira esteve muito bem na reunião e a aguentar um derrote de alto a baixo. Faltou-lhe uma ajuda que o amparasse e impedisse que viesse despejado violentamente. À segunda voltou a estar muito bem e aguentar agora a difícil viagem por baixo, a que o grupo correspondeu bem.
O caso deu-se entre as duas últimas dos Amadores de Monsaraz e os do Redondo – Duas pegas de antologia aos dois toiros mais complicados da tarde.
A quinta, dos Amadores de Redondo, foi um pegão! Com o duríssimo encastado da Herdade de Pégoras a empregar-se com pata para “matar” o forcado! Sem pecado na técnica, Carlos Silva fechou-se para aguentar uma viagem dura até tábuas nas quais por milagre o toiro não bateu. Fechou o grupo também com eficácia e selou-se a melhor pega da tarde. Só que logo depois, frente ao poderoso Passanha Sobral, os Amadores de Monsaraz tiveram outra pega rija e dos livros. David Silva cumpriu os cinco tempos e tornou fácil uma pega em que o grupo entrou trincheira adentro. Pena foi que quando estavam a desfazer a pega, tivessem aliviado a cara ao toiro que os despejou, tirando todo o brilho do remate…. E foi aqui que a pega de Monsaraz teve o menos em relação à pega de Redondo.
O júri era composto por três antigas autoridades da forcadagem: Francisco Borges, Engº Luís Rocha e João Grave. Escolheram a pega de Monsaraz como vencedora e foi ouvir um lado da bancada aplaudir fervorosamente enquanto o outro assobiava com afinco!
II – Dos toiros e das lides:
O júri para escolher a apresentação e bravura, constituiu-se pelos ganaderos. Aqui não houve bronca mas podia muito bem discutir-se a atribuição quer de um quer de outro prémio.
Venceu a apresentação o “Sevilho” divisa de Santa Maria com cinco anos e 610kg. Abriu a corrida com uma lide de menos a mais do maestro João Moura. Com pouca mobilidade, o toiro bem composto de carnes, fundo e bem armado, andou a passo e a passo acudiu aos cites, sem levar a investida até ao fim.
O “Betinho” de Dias Coutinho foi o que acusou maior peso mas foi também o toiro com maior mobilidade da corrida. Dos voluntariosos 660kg extraiu Luís Rouxinol uma boa brega a ladear, correndo as tábuas para o deixar em sorte. O oponente revelou-se algo difícil de fixar e apertava nas reuniões, tinha emoção e casta mas o cavaleiro não se entendeu e a lide ficou aquém de maior brilho.
O bravo do ferro do Eng. Luís Rocha, suplantou as boas notas do toiro anterior. Da saída enraçada sacou João Maria Branco uma apertada brega em redondo e um comprido traseiro e descaído a que o toiro reagiu a doer-se e por isso, talvez se tenha lesionado. Muito sério, o exemplar não deixou nunca de andar fixo na montada, de a procurar e de partir a gosto de todos os terrenos. Foi uma pena. O cavaleiro tinha sacado um triunfo gordo porque se viu entendê-lo bem e o toiro teria sobrado em emoção.
Extra concurso, abriu a segunda parte o sobrero do Eng. Luís Rocha que substituiu o Branco Núncio que partiu uma haste e não chegou a sair ao ruedo. Com tranco de galope, o exemplar metia muito bem mas precisava de incentivo para se arrancar. João Moura esteve-lhe por cima, obrigou-o e sacou dele uma lide muito regular.
O bonito tipo do toiro da Herdade de Pégoras não foi acompanhado de bonitos modos. Foi o mais duro da corrida e colheu a montada de Rouxinol em quase todos os ferros. Sem escutar música e depois sem dar a volta à arena, o cavaleiro de Pegões não conseguiu contornar as asperezas do opoente, que se ficava em tábuas para sair com génio a apertar e sem deixar saída à montada.
Fechou a corrida, um toiro (perdoem-me a expressão) lindíssimo! Um conjunto harmonioso de carnes, cara e pelagem brilhante que encheu a arena. O Passanha Sobral só pecou por se distrair com tudo à sua volta, dificultando muito os bons ofícios do ginete. De facto, João Maria Branco que começou por não poder com o toiro mas terminou bastante entendido com ele e logrou emotivos e bons ferros a fechar uma corrida de que saiu triunfador.
Brilhantemente também, actou a Banda Filarmónica de Reguengos de Monsaraz que nas cortesias, estreou o pasodoble “Forcados de Monsaraz”.
Sara Teles
