Os Palhas do cartaz da Feira de Maio foram um regresso cheio de comodidades para oferecer ao tauródromo da Moita do Ribatejo. Bem apresentados, deram um jogo “suavón” e nobre mas acabou por faltar emoção em toda a tarde.
O regresso era também de Vítor Ribeiro.
Não foi muita gente à praça mas o terço de bancadas preenchida aplaudiu e aclamou este regresso de Vítor Ribeiro com um forte aplauso no brinde da primeira lide que ofereceu ao público. Mas não foi o regresso por si só, que fez da tarde sua. Vítor Ribeiro “fez omeletes sem ovos” e deixou marcados pelo seu nome os momentos mais emotivos da tarde. O primeiro exemplar de 530kg, ficou a doer-se ao dobrar-se num capotazo. Demorou a reagir o sr. director Manuel Gama, e, o aviso para que o cavaleiro não iniciasse cravagem, soou precisamente quando já estava com o toiro debaixo do braço a apontar o primeiro comprido. O público reagiu com desagrado porque ia ser lidado um toiro diminuído mas acabou por ser uma falsa questão já que o toiro não pôde mais porque era justo de força e não porque acusasse a lesão. Foi, na verdade um auspicioso regresso! Antes da corrida conjecturávamos se voltava o Vítor Ribeiro clássico e perfeccionista das últimas temporadas ou o arrojado que há uns anos se catapultou para lugares destacados do escalafón. Mas de facto, o que pareceu ontem foi uma mistura interessante de ambos. Andou com muito sítio mas a procurar o espectáculo, saíram-lhe com graça as sortes de frente, os ladeares a dar cova e todo um conjunto que acabou por valorizar um toiro que afinal pouco transmitia. Esteve igualmente bem na segunda parte em que lhe tocou um manso encastado de 570kg, que reagia sem classe aos castigos e saía em arreões mas a tapar-se. Escutando música ao segundo curto, desenhou uma lide em sentido ascendente o que acabou por suceder também com o comportamento do toiro, que veio de menos a mais. Esteve deveras bem, sem acusar a paragem, teve muito interesse e despertou ainda mais para as próximas actuações… A ver…
António Telles abriu praça frente a um exemplar de 555kg, com muita classe mas justo de forças. Apesar de voluntarioso, pecou nas reuniões por não se empregar até ao fim. Teve música ao primeiro curto e as sortes de caras mandando vir o toiro de dentro para fora tiveram o seu selo mas não chegou a aquecer a bancada. Na segunda metade, o nº 183 com 565kg ofereceu igual suavidade ao maestro da Torrinha. Teve uma saída alegre mas depressa perdeu o gás. A lide por direito e o espaço/tempo que o toiro pedia e que António lhe concedeu, fizeram com que viesse a mais e voluntarioso para os ferros, que compuseram um bom lio.
Gilberto Filipe andou intuitivo no primeiro. Feliz na abordagem e na escolha dos terrenos tirou bom partido do oponente de 565kg que nunca mostrou grande vontade de se empregar. Quase sempre nos médios onde encontrou o piso mais solto da arena o toiro correspondeu às abordagens de frente desenhadas com critério pelo cavaleiro. O nº137 com 590kg foi de longe o pior toiro da tarde. Com querença nas tábuas, do escasso génio tirou investidas em arreões muito embora tivesse galope e força que bastasse. Gilberto Filipe perdeu por momentos os papéis ante as dificuldades. Sem conseguir tirar o toiro de tábuas e com o assobio à ajuda do subalterno para levar o toiro aos médios, acabou por se resignar a passar à tira na querença do toiro para deixar a ferragem. Resolveu a papeleta, apesar de não ter terminado da melhor forma!
No geral todos os toiros foram de menos a mais, abrindo ao longo da lide. Assim, nas pegas não foram assim tanto de suaves quanto a nobreza nas lides fazia prever.
Pelos Amadores de Vila Franca de Xira abriu a tarde Bruno Casquinha. Ao primeiro intento o toiro arrancou a passo e meteu-lhe um piton por diante no peito impedindo a reunião. À segunda concretiza uma pega mais dura do que bonita. Voltando o toiro a apontar um piton só a determinação, braços e excelente primeira ajuda o mantiveram na cara. À primeira consumou Márcio Francisco que não saiu da cara do toiro que não aguentou o peso e caiu em cima do forcado, ajudado pelo grupo a levantar e terminar a pega. Rui Godinho recuou muito e no tempo certo quando o oponente saiu com pata. Viu o toiro humilhar e pôr bem a cara aproveitando para se fechar à córnea e ali se manter na viagem sem grande dificuldade.
Do Aposento da Moita foi primeiro José Maria Bettencourt que executou à primeira uma pega tecnicamente perfeita frente a um exemplar que levou a sua viagem por direito para uma boa reunião. Nuno Inácio com uma excelente primeira ajuda, mandou no toiro que arrancou franco e pronto para se fechar à córnea numa viajem suave até o grupo fechar. Por fim Diogo Gomes protagonizou os momentos mais duros da tarde. O encastado tinha rins e o poder com que se empregava era para destruir o forcado. À primeira do da cara empranchou e rodou da córnea. À segunda recebeu 590kg no peito e o impacto foi tal que saiu projectado para trás com um estrondo que pareceu desfazer-lhe o peito (impressionante!). Foi José Henriques para a dobra mas ainda que com as ajudas carregadas só conseguiram concretizar à quarta com o toiro ainda com forças para desfazer o grupo. Terminou a corrida com uma pega rija, que consolidou os momentos mais impactantes da tarde.
Sara Teles
