Esta não é mais uma crónica sobre os Forcados, nem sequer é sobre eles, não me atrevo.
Podia ser, pois nunca serão suficientes todas a homenagens prestadas, mas não, não é, nunca na vida os conseguiria honrar condignamente.
E a única razão pela qual o tema vem à baila, infelizmente, é pelo que todos sabemos, a mais recente perda do mundo taurino, Pedro Primo. Não consigo deixar de tocar no assunto. E tantos, tantos outros que já sofreram de uma forma ou de outra num mesmo cenário.
Eu não percebo nada de pegar toiros, mas sei o que me move para assistir a corridas.
Para além de toda a beleza do espectáculo, do toureio em si, há grupos de homens, amadores por sinal, que nos fazem ter ataques de nervos avassaladores e que ainda assim, não conseguimos deixar de assistir!
E não, não entendo estas gentes. O que move estes homens, a colocarem-se à frente dos toiros? Que mistério é este? O que os faz pôr a cara em cima de bandarilhas mesmo que não das quebráveis? O que os move a ir à segunda, terceira tentativas, depois de já derrotados e mal tratados?
Há qualquer coisa de assustador, sublime, viril, frágil e deslumbrante quando eles entram na arena.
Com pinta, um toque de “Marialvismo” (segundo um dicionário, substantivo masculino: sedutor; conquistador de mulheres), sem qualquer tipo de ofensa, antes pelo contrário, têm valores sólidos, moral, respeitam tradições e acima de tudo, são detentores de dignidade, amizade e valentia. Valores infelizmente já não muito vistos sem ser nestes círculos.
Que laços de amizade são estes criados entre eles, que são capazes de dar a vida uns pelos outros? Que raio de magia é esta? E não, não percebo nada de magia, mas gostava muito.
Todo um ritual, chegar à fardação, ser escolhido ou não numa ou outra corrida, os jantares, o respeito pelos mais velhos, o honrar a sua farda, enfim, um mundo aparte, só deles, cabe-nos a nós, aficionados, absorver e beber toda a gentileza com que nos brindam.
Haverá uns mais preparados que outros, ah e a sorte com os toiros também conta tanto, aquela com que Deus às vezes parece brincar… É sempre uma dança, um género de brincadeira séria, em que eles olham para a morte ou uma desgraça maior, de lado tipo ‘o que tu queres sei eu’.
E a vida é um sopro, tão volátil, fracções de segundos em que tudo pode mudar, e eles põem isto à prova vezes e vezes sem conta.
Porque há sempre uns maiores, mais valentes e mais bravos que os outros…
Não lido nada bem com a morte, não sei se o lugar para onde vão é na verdade melhor.
Não entendo nada da Terra quanto mais do Céu!
Um dia todos saberemos…
Os Bravos

