A escassos dias da primeira corrida dos Amadores de Lisboa, o Sol e Sombra quis saber mais sobre a actualidade do grupo. Pedro Maria Gomes falou-nos sobre a temporada que assinala o septuagésimo aniversário da formação da capital.
Estamos à beira da primeira corrida da temporada dos amadores de Lisboa, para onde está anunciado um curro sério de Manuel Veiga. Quais são as vossas expectativas?
As expectativas são sempre muito altas, é um curro com idade e que geralmente costuma colocar alguns problemas aos forcados mas o Grupo acabou muito bem o ano passado, fez este ano uma boa época de treinos, por isso penso que estamos preparados para começar da melhor maneira esta temporada.
Esta temporada tem um sabor especial com o número redondo do aniversário – o grupo está/vai a celebrá-lo de modo especial?
Vamos festejá-lo com uma corrida de 6 toiros no Campo Pequeno, em que se fardarão antigos e actuais, e com um jantar de final de época, diferente do que tem sido habitual. Daqui por 5 anos, fazemos 75 anos e aí sim, será uma época com outro tipo de comemorações.
Além de Salvaterra, que corridas estão já agendadas?
Infelizmente, nesta altura ainda temos poucas corridas dadas como certas. Se não houver mais nenhuma novidade só voltamos a pegar no Campo Pequeno, dia 3 de Julho.
O Campo Pequeno vai assinalar os 70 anos do GFAL na corrida televisionada de 3 de Julho?
Não, essa corrida será de aniversário dos 50 anos da Corrida da RTP. Claro que ao entrarmos nesse cartel, para além de pegar no Campo Pequeno e ser uma corrida da RTP, tem o aliciante de também comemorarmos, que foi há 51 anos, que o Grupo de Lisboa também participou na 1ª Corrida da RTP.
O Campo Pequeno é a “casa” do GFAL, qual é a relação do grupo com a primeira praça do país?
A história do Campo Pequeno faz parte da história do GFAL, foram muitas tardes e noites de glória, por isso a nossa relação com a praça da nossa Cidade, é de alegria, empatia e sentido de responsabilidade sempre que lá pegamos.
Para o final desta temporada têm já agendada uma digressão… O que nos pode contar sobre isso?
Não posso adiantar muito mais, a seu tempo será tornada pública. Posso só adiantar que será uma digressão ao México.
Por enquanto, ao que sabemos tem alguns elementos lesionados. Como vai gerir essas faltas?
É verdade, neste defeso tivemos algumas lesões de forcados influentes no Grupo, mas tenho confiança em todos os outros elementos para colmatar essas baixas. Os lesionados que tenham toda a motivação e força para recuperar, pois com a ajuda de todos somos melhores.
Como mantiveram a forma neste defeso? Que treinos e actividades aconteceram no Inverno?
O Grupo de Lisboa sempre teve elementos de vários pontos do país e na actualidade acontece o mesmo, por isso temos sempre que organizar alguns encontros (jantares, passeios a cavalo, jogos de futebol) para estarmos todos juntos no defeso. Para além destes encontros, fizemos quatro treinos e duas ferras, mas depois da corrida deste domingo, faremos mais dois treinos.
Não é possível falar em 70 anos de história sem referir Nuno Salvação Barreto. A épica personalidade do fundador mantem-se e incute-a no espírito do grupo?
Claro que sim, a figura de Nuno Salvação Barreto é sempre relembrada, quer pelos mais velhos, com todas as histórias e testemunhos de vivência com o nosso fundador, quer pelos princípios, valores e escola de pegar toiros que caracteriza o Grupo de Lisboa e que eu tento incutir a todos.
Como é a relação do Pedro com José Luís Gomes, nos binómios pai/filho e cabo/ex-cabo?
O meu pai sempre foi muito crítico e exigente comigo e com meu irmão, eramos todos iguais, eramos tratados como qualquer forcado. Hoje, a relação não é muito diferente, mas certamente pela minha idade e por ser cabo, oiço os seus conselhos de maneira diferente. Mas na maior parte dos casos, eu decido como o meu pai decidia com a minha idade, mas hoje o seu conselho é outro…
Poucos grupos se podem orgulhar de uma história tão rica como a lisboeta. O que significa para si – pessoalmente – comandar este grupo?
É uma honra muito grande ser cabo do Grupo de Lisboa, assim como a responsabilidade também é muito grande, pois como refere, com uma história tão rica e com grandes responsabilidades na história do Forcado Amador o peso sobre mim é muito grande.
Os tempos de hoje são muitos diferentes do resto da história do Grupo, cada vez é mais dificil arranjar corridas, há muitos interesses a influenciar as entradas numa corrida e foram acabando com as tradições de algumas praças, que todos os anos contavam com o Grupo de Lisboa.
Felizmente que todo o Grupo percebe a razão de não termos muitas corridas, pois como disse anteriormente, há princípios e valores que continuam a ser os mesmos desde o tempo de Nuno Salvação Barreto, por isso podemos sempre andar de cabeça erguida.
Pelo grupo de Lisboa já passaram e mantêm-se nomes importantíssimos. Têm neste momento uma forte camada jovem?
É verdade, o Grupo de Lisboa fez forcados importantíssimos e que ainda hoje estão na memória dos aficionados. Actualmente temos vários elementos com qualidades para serem um dia mais tarde recordados mas o seu lançamento e aquisição de experiência demora mais tempo, as corridas para esse efeito são poucas.
Uma mensagem final para oferecer aos aficionados…
Apesar da actualidade que o país atravessa, que continuem a marcar presença nas nossas praças, pois sem público a nossa festa tem pouco valor. Gostava também que nas nossas vidas fora das praças, tivessemos todos orgulho em ser aficionados!
Sara Teles

